quarta-feira, 4 de junho de 2014

Folha de Sala Artistas - Hugo Soares & João Gigante

Hugo Soares & João Gigante
Tempo, sobrevivência e apropriação

Hugo Soares e João Gigante são dois artistas naturais de Viana do Castelo, cujas pesquisa comuns se cruzaram e deram forma a projectos diversificados. Conheceram-se enquanto a sua passagem pela Faculdade de Belas Artes do Porto e em 2010 esta parceria toma forma através da sua primeira exposição intitulada Pigmentus. Desde então têm colaborado não só em projectos expositivos (ex. Archea, Espaço Mira,2014) ou performativos (ex. Luta pelo empate, Guimarães CEC, 2012) como ao nível do comissariado (ex. AISCA e Ao Lado do Cortelho) e da edição (ex. Revista PARASITA).
Nos trabalhos de Hugo Soares e João Gigante não são assumidas temáticas fechadas, os objectos que realizam são parte integrante da vida comum e abordados sob perspectivas diversas, contudo, exploram uma abordagem concisa ao tempo e suas marcas no processo artístico, aquilo que denominam por Saba (Tarkovsky, Esculpir o Tempo, 1998). Acreditam que toda a obra é capaz de criar discussão, interessando-lhes o questionamento de tudo o  que possa fomentar a prática artística, os territórios de actuação e a criação de caminhos para o entendimento do modo como uma obra pode crescer ao nível qualitativo, tendo como premissa a sua pertinência conceptual.
Considerando íntima e até mesmo inevitável a relação entre a obra artística e o tempo, afirmam que tudo de alguma forma pertence à contemporaneidade, mesmo que não concretizado no espaço temporal actual. Não se torna contemporâneo aquilo que é feito no presente mas antes aquilo que existe ou persiste, que de alguma forma o porquê desta presença justifica a sua contemporaneidade. Para esta dupla, se uma obra de arte do passado actua inteligível e sensivelmente no presente, como poderemos assumi-la como não contemporânea?

Segundo ambos, o principal objectivo da arte contemporânea é dar-se a conhecer enquanto um exercício constante de inteligência ou sentimento, e é partindo deste mote que todo o seu trabalho é construído e desenvolvido.

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