Hugo Soares & João Gigante
Tempo,
sobrevivência e apropriação
Hugo Soares e
João Gigante são dois artistas naturais de Viana do Castelo, cujas pesquisa comuns
se cruzaram e deram forma a projectos diversificados. Conheceram-se enquanto a
sua passagem pela Faculdade de Belas Artes do Porto e em 2010 esta parceria
toma forma através da sua primeira exposição intitulada Pigmentus. Desde então
têm colaborado não só em projectos expositivos (ex. Archea, Espaço Mira,2014)
ou performativos (ex. Luta pelo empate, Guimarães CEC, 2012) como ao nível do
comissariado (ex. AISCA e Ao Lado do Cortelho) e da edição (ex. Revista
PARASITA).
Nos trabalhos
de Hugo Soares e João Gigante não são assumidas temáticas fechadas, os objectos
que realizam são parte integrante da vida comum e abordados sob perspectivas diversas,
contudo, exploram uma abordagem concisa ao tempo e suas marcas no processo artístico,
aquilo que denominam por Saba (Tarkovsky, Esculpir o Tempo, 1998). Acreditam que
toda a obra é capaz de criar discussão, interessando-lhes o questionamento de
tudo o que possa fomentar a prática
artística, os territórios de actuação e a criação de caminhos para o
entendimento do modo como uma obra pode crescer ao nível qualitativo, tendo
como premissa a sua pertinência conceptual.
Considerando
íntima e até mesmo inevitável a relação entre a obra artística e o tempo, afirmam
que tudo de alguma forma pertence à contemporaneidade, mesmo que não concretizado
no espaço temporal actual. Não se torna contemporâneo aquilo que é feito no
presente mas antes aquilo que existe ou persiste, que de alguma forma o porquê
desta presença justifica a sua contemporaneidade. Para esta dupla, se uma obra
de arte do passado actua inteligível e sensivelmente no presente, como
poderemos assumi-la como não contemporânea?
Segundo ambos,
o principal objectivo da arte contemporânea é dar-se a conhecer enquanto um
exercício constante de inteligência ou sentimento, e é partindo deste mote que
todo o seu trabalho é construído e desenvolvido.
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